As Mulheres E O Preconceito

Vivemos num mundo de homens, adultos, brancos, de classe média. Não tente me dizer que estamos caminhando em direção à igualdade, que já faz tempo que as mulheres se livraram de seus grilhões, que hoje todos temos os mesmos direitos. Estou falando da realidade como ela é, não para onde está caminhando nem como queremos que ela seja. Se você não faz parte desse grupo, você está excluído da sociedade, ou pelo menos do grupo dominante dela.

Há algumas décadas, algumas mulheres queimaram seus sutiãs em praça pública. Elas foram chamadas feministas por desafiarem tudo que a sociedade chauvinista da época pregava. Elas queriam os mesmos direitos que o homem: poder trabalhar, ganhar seu próprio dinheiro, não ser condenada – somente por ter nascido mulher – a passar o resto da vida dentro de casa, cuidando dos filhos.
O que elas conseguiram com isso? Dupla jornada, trabalho igual com salários menores, perca da feminilidade e do cavalheirismo que ser mulher lhes garantia. Na época, isso era o sonho de muitas. A liberdade, não ter que responder à ninguém, poder fazer tudo que os homens faziam, não ter que usar corsets, que as faziam parecer lânguidas, frágeis e doentes. Quando Chanel apareceu com suas saias sem arame ou anáguas, blusas soltas e terninhos, ela revolucionou a moda, e sem saber, deu ainda mais força à luta das feministas.
Vocês provavelmente devem estar se perguntando por que eu estou de falando de feminismo em um blog sobre o ITA, cujo público principal é o masculino, e cujo principal tema nada tem a ver com saias ou igualdade de direitos. Vim aqui falar sobre isso porque apesar de toda essa luta, todo o esforço e sacrifício feito por milhares, os protestos não conseguiram atingir seu objetivo, apenas aumentar a carga que as mulheres têm que carregar.
Hoje, a maior parte dos C.E.O.’s das grandes empresas são homens, os cargos de poder estão nas mãos deles, eles dominam o mundo das ciências, da tecnologia, da política. Tudo que é mais importante está sob seu controle. O chefe da ONU é um homem, o presidente da União Europeia, Estados Unidos, Japão, todos homens. Apesar dos inúmeros avanços feitos em relação à igualdade entre os sexos, as mulheres ainda são minoria em cargos relacionados às ciências exatas, trabalhando predominantemente em profissões na área de saúde ou educação, “trabalhos de mulher”.
Quando falei para minha mãe, aos 6 ou 7 anos, que queria ser engenheira, sua primeira reação foi me dizer para encontrar uma profissão mais feminina. Meu pai disse a ela que me deixasse escolher o que eu gostava, independente do que os outros pensassem. Desde então, já mudei várias vezes de ideia. Já quis ser médica, bailarina, escritora, designer de interiores, espiã, estilista, arquiteta... Era mais ou menos uma profissão por ano. Chegando ao fim de 2009, eu percebi que o que eu realmente gostava estava na área das exatas. Depois de um tempo de indecisão, acabei me decidindo por engenharia. Era uma profissão que eu gostava, e realmente conseguia me ver fazendo isso. Dessa vez, quando disse isso aos meus pais, os dois me apoiaram sem restrições. Acho que minha mãe já tinha se conformado comigo fazendo minhas próprias escolhas.
Mas não posso dizer o mesmo do resto da sociedade. A reação comum quando digo que quero ser engenheira e estudar ITA é me perguntar por quê eu escolhi algo tão difícil, e por quê eu não escolho algo melhor, como medicina ou direito. Há uma semana estava conversando com uma amiga sobre faculdades, e quando falei que pretendia fazer engenharia civil no ITA, a primeira coisa que ela me disse foi que os amigos dela na faculdade comentaram que toda mulher que faz engenharia sai da lá masculinizada. Minha opinião, já formada, não se alterou. Mas para muitas meninas que não querem ou conseguem enfrentar pressões e preconceitos, esse (des)incentivo pode ser fatal, fazendo-as desistir do que seria o emprego perfeito por conta de bobagens. Para um país que alega possuir igualdade entre seus membros, ainda falta muito para conseguir que todos possam fazer aquilo que gostam sem ter que encarar piadinhas e preconceitos.
Aqui você poderá encontrar o depoimento de uma ex-iteana sobre o assunto.

7 Comentários:

Anônimo

É isso aí! Sou mulher e desde pequena sonho em me tornar engenheira. É muito bom encontrar companheiras que assim como eu, pretendem passar no ITA.
Os homens já dominaram por muito tempo e agora é a nossa vez, mulherada!

Isaque

Vamos lá Futura Bixetes!
O problema é que há pouca mulher interessada. Mas aqui no ITA constatamos que as mulheres são as melhores alunas da turma.

Apoio e muito a cultura de exatas entre as mulheres seja no ITA, IME ou em qualquer outra faculdade de Engenharia.

thwanny_ingrid

tenho 16 anos e sonho em entrar no ITA sei bem como é encarar o preconceito pois convivo com isso dentro da minha propia casa.
infelismente temos que aprender a viver com isso e mostrar que somos capazes de tudo.
FORÇA FEMININA!!!....
ITA UM FUTURO PROXIMO!!!

Letícia

é verdade.tenho 15 anos e decidi que vou fazer engenharia aeroespacial, qndo falo sobre isso as pessoas me olham como se eu fosse maluca como se isso fosse apenas uma utopia,e que mês que vem eu vou mudar de idéia. minha mae diz que me "apoia" mas dá pra perceber que ela acha isso uma fasezinha.

Anônimo

oi Laura parabens pelo texto tambem tive que escutar muito isso ,o mundo de informatica é assim
LIA 18

Anônimo

Maravilha!!! Leticia.O PEB precisa de mao de obra o ita de alunas e "eu de uma namorada genial".

Anônimo

Laura, concordo plenamente com o seu comentário. Pretendo estudar no ita e depois de pesquisar algumas coisas, descobri que somente 8,4% dos alunos de lá são mulheres e sofrem preconceito.

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